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Artigos Técnicos
Tricomonose Genital Bovina

Data da Publicação: 02/12/2010

Poliana de Castro Melo
Jurada Efetiva Girolando
Doutoranda em Medicina Veterinária Preventiva – UNESP


A Tricomonose Bovina é uma doença que se encontra praticamente erradicada em países que utilizam intensamente a inseminação artificial, contudo, ainda ocorre de forma endêmica em regiões onde o controle sanitário é deficiente ou o sistema de produção é extensivo, com utilização de monta natural.

É uma doença de caráter venéreo, tendo como principais manifestações clínicas a repetição de cios a intervalos irregulares e o aborto, com maior freqüência até os cinco meses de gestação.

A tricomonose é uma doença venérea de bovinos causada por um protozoário flagelado denominado Tritrichomonas foetus (T.foetus), cujo habitat é o trato genital de bovinos sendo transmitido do macho para a fêmea através da monta ou pelo uso de sêmen contaminado.

No Brasil, os estudos sobre a Tricomonose são de São Paulo, por Amaral et al.(1970) com prevalência de 8%. Em Minas Gerais, a doença foi estudada por Medeiros e Figueiredo (1971), que observaram índices de esparsos e os primeiros relatos foram no Rio Grande do Sul por Roehe (1948). Foram realizados posteriormente estudos epidemiológicos no Estado do Rio de Janeiro encontrando índices de 7,3 e 9% de touros por método de exame direto e no Estado touros portadores de 14,4% ; na Paraíba foi observado 27% de touros leiteiros portadores de T.foetus e mais recentemente, no Rio Grande do Sul isolado o T.foetus em 1,88% de 2286 amostras de esmegma prepucial de touros, no período de 1972 à 1987.

A maioria das fêmeas infectadas podem assim permanecer por 95 dias até 300 dias com o parasita e nesse período continuar transmitindo o T.foetus aos touros pelos quais forem cobertas. No entanto há registros de fêmeas que mantém o parasita durante toda a prenhez, com o nascimento de bezerros normais.

Patogenia e Imunidade

O mecanismo exato pelo qual o T. foetus induz a doença não está bem elucidado. O T. foetus não é invasivo e no touro, a infeção fica confinada a cavidade prepucial e eventualmente ao orifício uretral. Em cortes histológicos do local podem ser visualizados uma menor infiltração de linfócitos, macrófagos e neutrófilos. Entretanto, no touro, a imunidade em nível local a imunidade é incipiente.

O T.foetus causa uma vaginite moderada com o aparecimento, eventual, de secreção muco-purulenta (piometra). Há acúmulo de granulócitos polimorfonucleares, macrófagos, linfócitos e um pequeno número de células plasmáticas. Nas fêmeas portadoras, aparentemente há uma falha na imunidade ao nível de mucosa vaginal e esta falha parece ser importante para a manutenção da infecção nos rebanhos.

Sinais Clínicos

A presença da tricomonose em um rebanho pode ser percebida através da ocorrência de uma taxa de natalidade menor que a esperada e uma estação de nascimentos prolongada. A infecção pelo T. foetus no macho é assintomática, não apresentando este nenhuma manifestação clínica da doença passa desapercebida, pois este não apresenta sintomatologia clínica. Na fêmea, a infecção causa, além de repetições irregulares de cio com intervalos aumentados, vaginite, cervicite, endometrite, piometra, morte embrionária ou fetal, feto macerado e aborto.

A doença, no entanto não tem sinais clínicos característicos, portanto o diagnóstico deve ser laboratorial, pela observação do parasito em secreções vaginais, placenta, líquido abomasal de fetos abortados, líquidos de piometra e principalmente em esmegma prepucial de touros.

A infecção não impede a fêmea de conceber, mas sim que o embrião se fixe na mucosa uterina seguindo-se a morte do mesmo com reabsorção embrionária ou aborto.

Diagnóstico

O diagnóstico da Tricomonose Bovina baseia-se no isolamento e identificação do T. foetus em material prepucial e vaginal ou em fetos abortados e suas membranas fetais. Nos touros, o material de eleição é o esmegma prepucial ou lavado prepucial e, nas fêmeas, o muco vaginal. Nestas, o sucesso do diagnóstico depende da qualidade do material coletado, sendo que o período ideal de coleta compreende 2-3 dias antes do cio e 2-3 dias depois, onde existe um pico de multiplicação do microorganismo na mucosa vaginal.

A confirmação de um cultivo positivo para o está baseado na visualização do parasita, através de exame direto do material coletado, entre lâmina e lamínula, com um aumento de 400 X em microscopia de campo escuro ou contraste de fase. Os materiais a serem coletados são os seguintes: líquidos placentários, fetos abortados ou líquido abomasal, muco vaginal ou secreções purulentas e, principalmente o esmegma prepucial de touros provenientes de rebanhos onde se suspeite da doença.

Tratamento

O tratamento deve ser realizado, principalmente, quando são utilizados touros de elevado valor zootécnico, mas não é indicado para grande número de animais ou para uso indiscriminado em um rebanho.

Os autores utilizaram uma associação de penicilina procaína, por via intramuscular com ipronidazole, em dose única, ou dividida em três doses, aplicadas por 3 dias consecutivos. A eficiência do tratamento do tratamento foi de 92,8% para o grupo tratado em dose única, uma vez, e 100% para o grupo tratado três vezes. Os autores recomendam que touros que não respondam ao tratamento sejam descartados.

Controle

Vários métodos podem ser utilizados para o controle da tricomonose em rebanhos, sendo todos baseados na separação de touros e fêmeas positivos: Descarte periódico de touros velhos( acima de 5-6anos) e introdução de touros jovens testados.

Evitar touros "arrendados" ou utilizados em parceria. Efetuar teste (cultura) dos touros duas semanas antes da estação de monta e após o seu térmimo. Repouso sexual das fêmeas por, no mínimo, três ciclos consecutivos.

Descarte seletivo: Devem ser descartados todos os touros positivos e as fêmeas que falharem na concepção, abortarem ou apresentarem piometra, assim como as que forem comprovadamente positivas. Não adquirir touros de fazendas com problema de Tricomonose, ainda que touros virgens. Não adquirir também fêmeas prenhas, que falharam ou abortaram. Só adquirir novilhas.

Vacinação: mais recentemente tem sido desenvolvidas vacinas de eficiência comprovada em estudos isolados não tendo ainda sido largamente com sucesso para que possa ser recomendada em detrimento dos métodos tradicionais de controle. Evitar utilização de pastagens comuns. Nunca levar touros para esses locais. Introduzir manejo exclusivo com Inseminação Artificial.

Manutenção de grupos de animais infectados e não infectados: os touros infectados são levados a cobrir somente fêmeas infectadas sendo as fêmeas susceptíveis, novilhas ou fêmeas que levaram a gestação a termo seriam cobertas por touros virgens ou comprovadamente negativos (três testes negativos consecutivos). Isto, entretanto, pode surtir resultado somente em rebanhos menores, sendo quase inviável em grandes rebanhos de corte. Qualquer animal que for introduzido no rebanho deve provir de rebanhos sem histórico de tricomonose e ainda assim possuírem três resultados negativos para o parasito. Adicionalmente, antes da estação de monta devem-se examinar os touros, para o descarte dos que se apresentarem positivos.

Referências Bibliográficas

AMARAL, V.; SANTOS, S. M.; FENERICH, F. L. Levantamentos de incidência do Tritrichomonas foetus no estado de São Paulo. Biológico, São Paulo, v.36, p.201-204, 1970.

MEDEIROS, P. M.; FIGUEIREDO, J. B. Trichomonose bovina em Minas Gerais. Comunicação. Arquivos. Escola Veterinária. UFMG, Belo Horizonte, v.23, p.143-147, 1971.

PELLEGRINI, A.O.; LEITE, R.C. Atualização sobre tricomonose genital bovina. Documentos Embrapa. Dezembro 2003. Disponível em: www.cpap.embrapa.br, acessado em 22/08/2010.

ROEHE, R. Tricomoníase bovina. Boletim de Produção Animal., v.4, n.6, p.21- 26, 1948.



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