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Artigos Técnicos
Cuidados e Funcionamento de Ordenhadeiras

Data da Publicação: 02/12/2010

Marcello A.R. Cembranelli
MSc. Médico Veterinário
Coordenador Operacional PMGG


É cada vez mais comum nas propriedades leiteiras brasileiras encontrar esse tipo de equipamento que realiza a retirada do leite, através da diferença de pressão com o uso da alternância de vácuo, sem contato direto do leite com ambiente externo, ou ao menos reduzindo esse tempo de contato, bem com sua manipulação.

Essa necessidade em adquirir, e utilizar esse tipo de equipamento vem crescendo, principalmente com a busca da melhoria da qualidade do leite através de uma ordenha mais higiênica e também na redução do tempo de execução dessa ordenha, propiciando mais conforto e bem estar ao animal. Existem diversos tipos e marcas de ordenhadeiras no mercado cada uma com suas especificações e recomendações técnicas, vamos nesse artigo procurar apenas esclarecer um pouco sobre o funcionamento e os cuidados com a limpeza do equipamento.

Os tipos de ordenhadeiras mais utilizados são:

  • Leite canalizado: O leite é transportado direto do úbere até o resfriador, eliminando o transporte em latões e a filtragem manual. Isto traz ganho de tempo para se operar um maior número de conjuntos e permite melhores condições para produzir leite de melhor qualidade.
  • Balde ao pé: Como nome diz, o leite é retirado em um balde vedado sob pressão, requer a necessidade de transporte e filtragem do leite para colocação nos tanques de resfriamento, é indicado para pequenos produtores, sem necessidade de grandes investimentos.
Composição e funcionamento:

Conjunto de vácuo: É composto pela bomba de vácuo com motor, depósito de vácuo, pulsadores e válvula reguladora de vácuo.

Os conjuntos de vácuo diferenciam-se pela capacidade do fluxo de ar e pelo tipo de acionamento da bomba. O fluxo de vácuo para linha baixa ou balde ao pé normalmente é de 45 KPa e de 50 KPa para linha alta. A bomba de vácuo pode ser acionada por motores elétricos ou através da tomada de força de um trator. Estes devem ser instalados fora da sala de leite ou do estábulo, em um ambiente bem ventilado, seco (protegido da chuva), livre de pó e de maneira que facilite a sua limpeza e também a sua manutenção. A limpeza da bomba de vácuo deve ser realizada conforme a necessidade, e no mínimo uma vez por ano. O nível de óleo deve ser verificado regularmente antes de se iniciar a ordenha.

Todas as instalações devem ser realizadas por técnicos preparados e indicados pelo fabricante do equipamento.

O ar expelido pelo sistema deve ser sempre conduzido para o ambiente externo, pois durante seu funcionamento ocorre a produção e liberação de gases.

Os pulsadores podem ser de dois tipos mecânicos ou eletrônicos. Os mecânicos realizam 56-60 pulsações/min, funciona em alternância, isto significa as duas tetas direitas ou as duas tetas esquerdas estão alternadamente na fase de sucção ou de repouso. Não necessitam de lubrificação, e sua limpeza deverá ser feita de dois em dois meses ou sempre que houver qualquer alteração no funcionamento do equipamento, sempre realizando a troca dos filtros. O principal problema do pulsador mecânico é devido a sua precisão, podendo ocorrer variação na pulsação.

Quanto aos pulsadores eletrônicos são mais precisos, não requerem tanta manutenção, a não ser a retirada de pó acumulada isso no mínimo três vezes ao ano. Em qualquer um dos tipos de pulsadores, deve se sempre ter alguns de reserva, para substituição imediata caso ocorra algum problema, sem prejuízo da ordenha.

A condição ideal para uma ordenha perfeita é possuir um vácuo nominal de nível constante.

Um vacuômetro pode ser instalado no ambiente de trabalho do ordenhador, para o controle de vácuo durante a ordenha. A válvula reguladora deverá ser limpa no mínimo uma vez por mês.

Em toda a linha de vácuo são utilizados tubos galvanizados, e essa tubulação de vácuo deve ser absolutamente impermeável ao ar.

Conjunto acoplado ao úbere: O conjunto de ordenha compõe-se de quatro teteiras e do copo coletor (ao mesmo tempo distribuidor de vácuo). Esse conjunto funciona da seguinte maneira o pulsador deixa penetrar ar atmosférico nas entre câmaras da teteira, pelas mangueiras de vácuo e distribuidor de vácuo (ao mesmo tempo coletor de leite), aspirando-o no momento seguinte. Na câmara interna da teteira, onde se aloja a teta da vaca, há vácuo sempre, proveniente do balde de leite ou da tubulação de leite.

Durante a fase de sucção existe a mesma pressão (depressão) na câmara interna e entre câmara. A borracha espremedora está em repouso e o leite é sugado das tetas sem impedimento.

Por outro lado, durante o repouso, a borracha espremedora é comprimida pela diferença de pressão entre a câmara interna e a entre câmara, e assim interrompe-se o fluxo de leite. O esfíncter do teto está comprimido e a teta é ao mesmo tempo massageada. Na fase de repouso o vácuo de ordenha é interrompido e a teta é consideravelmente descarregada do vácuo. O vácuo restante na câmara interna garante a aderência ao úbere. Assim se consegue uma ordenha particularmente suave. Quanto aos cuidados com essa parte do equipamento, deverão ser redobrados, a maioria das marcas recomendam a troca das teteiras a cada 180 a 200 ordenhas, mas nada melhor que o ordenhador para estar atento e efetuar a troca quando necessária, o mesmo deve ocorrer com as mangueiras de vácuo e de leite. A limpeza desse conjunto deverá ser efetuada diariamente durante a ordenha e principalmente após a mesma. Pois estes ficam em contato direto com a teta da vaca e podem propiciar a entrada de patógenos para o interior do úbere.

Equipamento transportador de leite: A linha de leite corresponde ao sistema que transporta o leite das teteiras ao tanque resfriador. Passando pelo coletor de leite (este deverá ser de vidro, resistente a soluções ácidas e básicas para total limpeza). Através de uma bomba, o leite é transportado do coletor por uma tubulação de inox, para o tanque resfriador passando por um filtro descartável, que deverá ser trocado a cada ordenha.

O coletor de leite está conectado ao sistema de vácuo da instalação, e ao depósito de condensação. Esse depósito de condensação evita a passagem de líquido (leite ou produto de limpeza) para a linha de vácuo em caso de excesso no coletor. Se isso ocorrer, a linha de vácuo é fechada e a ordenha é interrompida evitando acidentes. Nesse coletor de leite há ainda um dispositivo anti- espuma através de uma corrente de ar, que destrói a espuma do leite, evitando o excesso de espuma no coletor de leite.

Tanque de armazenamento: Corresponde ao tanque resfriador onde o leite ficará armazenado até ser enviado ao laticínio, neste tanque o leite será refrigerado e mantido a 5ºC.

Rotina de Limpeza: Cada equipamento possui uma seqüência de procedimentos específicos para se iniciar a limpeza, mas basicamente todos seguem a mesma rotina. Depois da ordenha deve se realizar a esgota do leite restante no coletor e em seguida faz se a união à tubulação de limpeza.

Limpeza do circuito:

  • Pré-limpeza- O conjunto deverá ser lavado com água fria ou morna, usando-se um mínimo de 5 litros por grupo de teteiras.
  • Principal- O conjunto é em seguida lavado com solução detergente quente ( 65º a 75º C usualmente alcalina) nas quantias de 4 a 5L por conjunto de teteiras. Esse procedimento é realizado para retirar os depósitos de gordura e proteína.
  • Enxágüe- Finalmente a ordenhadeira deverá ser lavada com água fria, usando-se cerca de 4 a 5 litros por grupo de teteiras.

Se um detergente alcalino for usado regularmente, recomenda-se o uso de um DETERGENTE ÁCIDO (durante uma ordenha por semana no passo principal), a fim de remover eventuais acúmulos de depósitos de minerais e a formação de pedras do leite. Deve-se proceder a esgota do restante da água, através do dispositivo de drenagem, verificando sempre se não ficou nenhum resíduo.

Uma boa limpeza irá garantir ordenhas saudáveis tanto para o ordenhador quanto para as vacas que estão sendo ordenhadas além de uma excelente qualidade do leite produzido.

Conclusão: O uso das ordenhadeiras independente do tipo ou do tamanho vem sempre acrescentar uma melhora na qualidade do leite desde que bem manuseada, com uma correta desinfecção diária e uma manutenção correta, sempre seguindo as especificações do fabricante.



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